Música faz bem à saúde
 
20/07/10

Bárbara Nascimento

A velha máxima de que quem canta seus males espanta pode ser mais verdadeira do que imaginamos. A utilização da música em tratamentos de inúmeras doenças, a musicoterapia, tem se tornado bastante comum e cada vez mais médicos agregam as notas musicais às suas receitas.

A técnica da musicoterapia não promete a cura, mas ajuda o paciente a obter alívio e força emocional para aceitar e conviver com a doença. “A musicoterapia é um excelente complemento ao tratamento convencional. A técnica não consiste em tocar uma música para o paciente ficar alegre. A proposta é fortalecê-lo emocionalmente para melhor lidar com os sintomas da doença. Isoladamente, a musicoterapia pode até não curar ninguém, mas promove melhoras no quadro clínico”, diz a psicóloga Cristiane Ferraz Prado ao O Dia Online.

As sessões de musicoterapia podem ser individuais ou em grupo. Através de sessões de audição e/ou interação com as notas musicais é possível perceber quais são as reações de determinado paciente a cada tipo de som, identificando as músicas que mais lhe trazem equilíbrio.

Música faz bem ao coração

Geralmente os tratamentos com música são procurados por pacientes com dificuldades cognitivas, problemas cardiovasculares, hipertensos, doentes crônicos e até pacientes com câncer. Estudos recentes garantem a eficácia das melodias em pessoas portadoras de doenças degenerativas do cérebro, como Alzheimer e Parkinson. Uma pesquisa da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, comprova que músicas alegres, ao serem escutadas por pacientes, provoca o aumento da produção de endorfina, o hormônio do bem-estar, que provoca o relaxamento do indivíduo e a diminuição dos batimentos cardíacos e da pressão arterial.

A cardiologista Thamine Hatem acredita no benefício das notas musicais ao coração. Em entrevista ao O Dia Online, a médica, que submeteu 84 crianças de até 16 anos à musicoterapia, admite que a música de fato ajuda a regularizar a freqüência cardiorrespiratória dos pacientes, diminuindo, por vezes, até mesmo o uso de medicamentos e sedativos: “Normalmente, a música clássica e as canções de ninar são as mais indicadas porque a freqüência cardiorespiratória do paciente tende a acompanhar o ritmo da música que ele está ouvindo”.

Entre nessa Sintonia

O projeto “Musicoterapia, Entre Nessa Sintonia”, uma criação da Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação (ABBR) em atual parceria com o projeto Afroreggae, leva a musicoterapia à diversos pacientes. Os atendimentos acontecem a 42 anos no bairro do Jardim Botânico, no Rio de Janeiro. O padrinho do projeto é o cantor e compositor Herbert Vianna, da banda Paralamas do Sucesso. O cantor, que sofreu um acidente e ficou tetraplégico em 2001, foi submetido a sessões de musicoterapia no Hospital Sarah Kubitscheck, em Brasília: “Com a música, eu canalizava a atenção para outras coisas que não fossem a dor que sentia. A música é o remédio mais elevado que existe”  .

Foto: Despertar, Núcleo Educacional e Terapêutico

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