A trajetória de Nalbert
 
19/07/2010
Daniel Adjuto
A vida de um profissional do esporte não se resume apenas às quadras, gramados ou arenas. Ser um esportista exige muita determinação, paciência e vontade de encarar desafios. Nalbert, ex-jogador de vôlei, é um exemplo vivo de que o esporte pode sim ser considerado uma profissão. Em fevereiro deste ano, o craque das quadras se aposentou, mas os projetos não param por aí.
Encarar os desafios e se colocar à prova são fatores chaves para quem quer vencer no esporte. Peneiras, seletivas e campeonatos são etapas que fazem parte da vida de um esportista. Natural do Rio de Janeiro, Nalbert enfrentou inúmeros obstáculos até se consagrar um dos maiores jogadores de vôlei do Brasil.
Primeiros saques
Ainda criança, Nalbert, pronunciado com ênfase no “bert”, como pede a mãe do craque, não se interessava muito pelo voleibol. Mal sabia ele que desse esporte ele rodaria o mundo e defenderia seu país. Em 1984, quando o vôlei estourou no país, o carioca começou a se interessar pelas redes. Começou a praticar o esporte em uma escolinha perto de casa e, aos 12 anos, foi levado pela sua professora para o Flamengo.
A primeira barreira a ser vencida estava nesse clube. Na época, Nalbert era pequeno em altura e não atendia à estatura média da equipe. Com isso, teve que mudar de clube e passou a treinar no Tijuca. Estimulado por seu técnico, não desistiu e foi em frente. “Eram os obstáculos que iam me fazer seguir em frente. Meu sonho era muito maior que tudo isso”, afirmou o craque em entrevista ao Diálogos Universitários. No Tijuca, jogou contra a equipe do Flamengo. O resultado? Para infelicidade do técnico flamenguista, o Tijuca venceu.
O destino, no entanto, queria ver o craque no Flamengo. O então técnico do Tijuca foi transferido para o clube rubronegro. E agora, Nalbert? Sem titubear, o técnico levou o já craque das quadras com ele para o novo clube. Daí em diante, foi só sucesso. Nalbert é o único jogador do mundo a ser campeão mundial em três categorias: infanto-juvenil (1991, aos 17 anos), juvenil (1993, aos 19) e adulto (2002, aos 28).
Seleção brasileira
Diante de tamanho sucesso, Nalbert recebeu uma ligação do então técnico da seleção brasileira, José Roberto, hoje técnico da seleção feminina, para substituir um jogador que havia se machucado e disputar uma partida no Japão defendendo a camisa da seleção brasileira. E pra lá foi o Nalbert! O carioca levou o título e ainda foi eleito o melhor jogador da competição. É mole?

  Nalbert e a suada medalha de ouro de Atenas
Foto: AFPSua trajetória na seleção brasileira é invejável. Em 1997, com 23 anos, virou capitão da seleção. Em 2004, levou um susto ao ver as Olimpíadas de Atenas se despedir do craque por conta de um rompimento no tendão do ombro esquerdo. Mas o que seria um rompimento no tendão diante de Nalbert? Inacreditavelmente ele se recuperou, disputou os jogos e trouxe o ouro para o Brasil.
Em 2005, Nalbert foi parar no vôlei de praia. Inicialmente ao lado de Guto e em 2006 com Luizão, o ex-jogador não obteve o mesmo sucesso das quadras. Em 2007, voltou para a seleção e faturou mais um título da Liga Mundial. No mesmo ano, um estiramento na coxa esquerda o tirou do Pan do Rio de Janeiro. No mesmo ano, foi submetido a uma cirurgia no ombro esquerdo. Em 2008, foi convocado por Bernardinho para os jogos olímpicos de Pequim. Dois meses antes da competição, no entanto, foi cortado da lista. Foi quando decidiu voltar às areias ao lado de Franco.
 
Em fevereiro deste ano, o ex-craque decidiu "pendurar as joelheiras", como ele mesmo diz. "Sempre acreditei que no dia em que eu não pudesse me preparar da forma que julgo necessária para poder ser um atleta de alto rendimento, seria o momento que eu iria sair", afirmou o ex-jogador.
Daí em diante...
Pensa que Nalbert parou por aí? Enganou-se. Hoje o ex-jogador se dedica a sua esposa, Amandha Lee e a filha Rafaela. Mesmo longe das quadras e tido como um líder no esporte, Nalbert continua servindo de inspiração para muitos jovens atletas.  “É gratificante ser referência para alguém depois de uma história tão longa e tão rica e ainda passar as experiências boas e ruins para as pessoas”, contou o ex-craque.
Nalbert também se dedica ao restaurante que montou. Mesmo sem ter cursado o nível superior, ele ainda deseja cursar a graduação. Por conta do restaurante, pretende fazer Administração de Empresas. Antes de se tornar profissional, Nalbert tentou conciliar estudo e esporte, o que o permitiu, também, ter fluência no inglês antes de ir jogar fora.
Além do restaurante, o ex-jogador também ministra palestras por todo o país contando sua história e estimulando os jovens a persistirem na busca de seus sonhos. “A minha história foi no esporte, mas serve para todas as áreas da vida”, afirmou.  No último mês, Nalbert participou dos Diálogos Universitários no UniCeub, em Brasília, e arrancou aplausos dos universitários.
Você conhecia a trajetória de Nalbert? Dialogue conosco.
 Enviar a um amigo
 
Nome:
Instituição: Cidade:
Assunto:
Comentário:
OK
 
 
Powered by NoAr
Campus Universitário Darcy Ribeiro (Unb) - ICC Ala Norte Sala BSS 670 / Brasília - DF - Brasil tel (+55) 61 3307-2056 fax (+55) 61 3347-4933