Arthur Pinho
 

Viver em outro país, por duas vezes, em épocas tão distintas da minha vida, foi, certamente, muito interessante. A primeira vez eu tinha 17 anos, acabado de concluir o primeiro período da faculdade, e tive oportunidade de tentar estudar em uma faculdade nos sul dos EUA.

 

Chegando lá, logo nas primeiras semanas, fiz a prova do TOEFL (necessárias a estrangeiros que queiram estudar em faculdade americana) e do ACT (uma espécie de ENEM americano). Cerca de dois meses depois, já cursava o Ciclo Básico de Engenharia da Universidade de Auburn em Montgomery, no Alabama.

 

Ao entrar na faculdade, as primeiras diferenças ficaram evidentes. Além de vivenciar um processo de admissão bastante enxuto (ao contrário dos longos vestibulares do Brasil), percebi que os universitários eram, em geral, mais velhos que os daqui (os calouros tinham entre 19 e 20 anos, enquanto os brasileiros têm entre 17 e 18). Apesar da pouca idade, para mim, pelo menos, tinha a vantagem de que sempre havia carona para ir e voltar dos lugares. Mesmo acima da idade mínima americana para dirigir (16 anos) eu, por ser estrangeiro, devido a uma lei estadual, não podia tirar carteira lá.

 

O universitário americano também tem outras diferenças quando se compara com o brasileiro, especialmente no que é relacionado à independência com os pais, já que a maioria mora fora de casa e trabalha para, pelo menos, se sustentar parcialmente. Quanto à cultura geral, o sul dos EUA se mostrou muito diferente com o que eu estava acostumado no país, visto que antes só havia visitado, em férias, a Flórida, Nova York e a Costa Oeste.

 

Aquela região é considerada muito simples e tradicionalista e apesar do Alabama ter a fama de estado racista, felizmente não sofri com nada parecido por ser de origem latina. Pelo contrário, sempre fui muito bem tratado, tanto em lojas, quanto na faculdade e na cidade. As pessoas sempre se mostraram solicitas, gentis, e, é claro, curiosas por saber coisas do Brasil, especialmente sobre futebol e sobre a floresta amazônica.

 

Já a segunda vez em que eu morei fora, foi uma época bem diferente; eu tinha 21 anos, estava a um ano e meio de me formar e tive a oportunidade de passar um mês fazendo estágio numa empresa de manutenção de aeronaves em Battle Creek, Michigan, no norte dos EUA. Fiquei hospedado na casa de amigos em uma cidade chamada Kalamazoo. Para chegar ao estágio, aluguei um carro e dirigia aproximadamente uns 40 minutos até a empresa.

 

Como um mês de estágio não era muito tempo, optei por passar alguns dias em cada área da empresa. Comecei na engenharia, passei por gerência de projetos, armazenagem, manutenção, etc. Por ser fã de aviação, considerei esse tempo uma experiência espetacular, pois me deu um passe livre para dentro de um mundo que eu sempre admirei de fora.

Já a vida fora do trabalho também teve algumas surpresas. Pude viajar pelas redondezas e constatar que, de fato, aquela região é bem mais desenvolvida do que o sul do país. Além disso, tive oportunidade de ir a algumas festas de fraternidade, daquelas que nós vemos nos filmes, e pude perceber que, tirados alguns exageros, elas são bem parecidas.

 

Novamente, um dos pontos altos da viagem foram as pessoas que eu conheci; todos sempre foram extremamente solícitos e gentis, mais uma vez se mostrando curiosos sobre o nosso país e a nossa cultura.

 

Concluindo, eu poderia dizer que morar fora é muito mais do que aprender ou ganhar fluência em uma nova língua, mas é ganhar experiência de vida, histórias pra contar, e principalmente, momentos bons pra recordar.

 

Voltar para Diário de Bordo!

 

 Enviar a um amigo
 
07/04/2008
Arthur, muito bom seu relato da experiência nos EUA. Tb estive lá por duas vezes e aprendi muito com tal vivência. Vou tentar postar minha história. Tudo de bom.
Matheus Queiróz - MG - PUC Minas
Nome:
Instituição: Cidade:
Assunto:
Comentário:
OK
 
 
Powered by NoAr
Campus Universitário Darcy Ribeiro (Unb) - ICC Ala Norte Sala BSS 670 / Brasília - DF - Brasil tel (+55) 61 3307-2056 fax (+55) 61 3347-4933