Raphael Planta
 

Viajei para Portugal no natal de 2005. Fui visitar minha família que eu nunca tinha visto e passei 20 dias viajando não somente por Portugal, mas também Espanha, França e Itália. Já conhecia alguns países da América do Sul e Norte, mas para a Europa eu nunca tinha ido. É uma cultura bem diferente da nossa, estilos de vida diferentes...

 

Em Portugal conheci a capital, Lisboa, e todo o norte do país (cidades como Porto, Guimarães, Braga), chegando até Santiago de Compostela na Espanha, sempre de carro com meus familiares. Passados 12 dias em Portugal, peguei um vôo para Madri e de lá comecei uma viagem de ônibus com a minha mãe até a Itália, que durou uma semana. Passei por Barcelona, Nice, Veneza, Padova, Florença, Roma, Nápoles... E como sempre via tudo em foto desde pequeno, me sentia como se já conhecesse boa parte daquilo mesmo sem nunca ter ido.

 

Na Itália me separei da minha mãe (ela voltou para o Brasil) e fui pra Inglaterra, fazer um curso de inglês. Cheguei em Cambridge num domingo a noite e meu curso começaria na segunda de manhã. Era tudo completamente diferente do que eu já tinha vivido, eu estava em outro país, outra língua, sem minha namorada, que tava na Austrália, sem minha cama... Às vezes eu me perguntava se realmente valia a pena pagar caro para sentir frio, dormir em uma cama dura, não poder ver um jogo do meu time, não comer feijão... No fundo valia muito a pena, porque a experiência que você adquire numa viagem dessa é grande a ponto de mudar a sua forma de enxergar a vali da dali em diante.

 

Em Cambridge eu estudava de manhã e à tarde ia conhecendo a cidade aos poucos. Minha família era muito boa, embora a casa fosse longe, além de ter bastante brasileiro no curso. Um ponto ruim foi que enquanto eu estava lá não consegui me desapegar do que tinha deixado no Brasil e isso acabou sendo ruim, pois não aproveitei como gostaria.

 

Durante a estada na Inglaterra, viajei com uns amigos para a Escócia, onde passei uns “perrengues”. Nós ficamos quase falidos por termos entrado na 1ª classe do trem sem permissão. A multa era caríssima! Sem contar que o albergue, que pagamos antecipados, era horrível! Depois dessa viagem fomos para Paris e conhecemos tudo: a torre, museus, restaurantes... Mas confesso que aquele céu cinza quase que diariamente me deixou depressivo.

 

Viajar sozinho é uma experiência única, você aprende a se virar em momentos de solidão, tristeza, a controlar suas emoções. Tem o dia que você chora no telefone, tem o dia em que você reclama da cama... mas no fundo você pára e pensa na oportunidade que está tendo de conhecer uma nova cultura e lidar com você mesmo, porque na maioria das vezes, a sua companhia nada mais é que fotos de casa, namorada, do seu país e saudades, muitas saudades. E isso acaba sendo uma experiência muito boa, pois você passa a se conhecer melhor.

 

 

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